O impacto econômico e social do Pix - Pagamentos Instantâneos no mundo

Baseado em experiências de pagamentos instantâneos ao redor do mundo, listamos 6 principais impactos que o Pix possivelmente causará no Brasil

Sistemas de pagamento instantâneo já existem em diversos países. Enquanto no Brasil ainda se especula quais serão os impactos econômicos e sociais do Pix, os anos de experiência acumulada com outras soluções no exterior fornecem uma ideia mais concreta de algumas dessas mudanças. Um relatório da Deloitte de 2019, por exemplo, analisou quais são os impactos desse novo método de pagamento instantâneo com base no contexto de diferentes países. Destacamos aqui os principais deles e analisamos o que esperar do Pix com base no cenário brasileiro.

O relatório da Deloitte criou uma comparação entre três economias hipotéticas para examinar o impacto anual dos sistemas de pagamento instantâneo após cinco anos desde sua implementação. A classificação tomou como base a renda per capita dos países, sendo alta, média e baixa. Segundo o estudo, os países de renda média podem apresentar uma redução de custos de até US$ 464 milhões e um aumento de até US$ 22 milhões na arrecadação de impostos.

Os Impactos do Pix

Considerando que o Brasil é classificado pelo Banco Mundial como renda média alta, podemos esperar impactos ainda maiores, com uma grande redução nos custos e aumento na arrecadação de impostos. Porém, existem outros impactos mais difíceis de quantificar, mas que representam mudanças importantes na economia. Conforme apontado pela Deloitte, tudo depende das condições de cada país, porém a maioria dos efeitos torna-se mais perceptível a longo prazo. Abaixo, detalhamos alguns deles.

Maiores incentivos para a 'GIG Economy'

O termo 'gig economy' se popularizou nos últimos anos e refere-se a uma economia alternativa baseada em trabalhos temporários e sob demanda.

De acordo com o relatório da Deloitte, um estudo de 2018 revelou que 84% dos trabalhadores entrevistados fariam mais desses serviços se recebem o pagamento mais rápido.

Na Índia, o aplicativo de táxi Ola, por exemplo, utiliza uma API do Universal Payments Interface (UPI) que permite pagamentos instantâneos para agendar viagens. A média anual de corridas realizadas pela plataforma é de cerca de 1 bilhão, tornando o Ola uma das maiores empresas do mundo no ramo de aplicativos de corrida. 

Aumento na empregabilidade

Após entrevistar 68 profissionais e donos de pequenas e médias empresas, de diferentes setores e países, a Deloitte descobriu que 63% dos entrevistados mantém uma reserva financeira apenas para cobrir o tempo necessário para receber pagamentos. Uma das conclusões do estudo, portanto, é que essa limitação financeira acaba afetando a capacidade das empresas de criar mais empregos. Segundo o relatório, o maior acesso a recursos financeiros tem um efeito ainda mais acentuado na empregabilidade em empresas de pequeno e médio porte de países em desenvolvimento.

Maior controle sobre as finanças

Sistemas de pagamento instantâneo, combinados com o Open Banking, podem ajudar as pessoas a controlarem melhor suas finanças pessoais. Um relatório do Banco da Inglaterra sugeriu que o Faster Payment Service, combinado com as novas regulamentações de Open Banking, poderiam facilitar o processo de compensação automática de pagamentos em contas de diferentes bancos, ajudando os consumidores a evitarem as taxas do cheque especial, reduzindo os riscos financeiros.

Formalização da Economia

Diversos estudos associam o uso de dinheiro físico a uma maior taxa de evasão fiscal, enquanto os pagamentos eletrônicos são associados a uma redução nessa taxa devido à maior transparência que eles oferecem na economia informal. Utilizando um método de simulação, um estudo descobriu que quando a participação do dinheiro físico na economia cai em 10%, há uma redução de 2% na economia subterrânea. Caso o dinheiro físico deixasse de existir completamente, a queda seria de 20%. O Sinprofaz estima que, só em 2020 de 01 de Janeiro até o momento da produção deste texto, já foram sonegados mais de 500 bilhões de reais. A redução da sonegação colaboraria com o ajuste fiscal e o combate à corrupção.

Talvez um dos exemplos mais próximos do Pix seja o sistema de pagamento instantâneo criado pelo governo da Tailândia. Lançado em 2015, o PromptPay permite que as transferências sejam feitas pelo celular utilizando uma série de identificadores, como número do documento, endereço de e-mail e número de telefone. O serviço já conta com 36,2 milhões de usuários, mais de 92% da população economicamente ativa do país, sendo que 23,5 milhões registraram o número do documento de identidade, resultando em uma maior transparência nas transações financeiras, principalmente para os setores da economia informal. 

Inclusão Financeira

Os métodos de pagamento instantâneo têm demonstrado aumentar a inclusão financeira. Em países em desenvolvimento que tendem a apresentar uma alta taxa de penetração de celulares, a introdução de serviços de pagamentos móveis resultou em uma maior inclusão financeira. Em 2006, a taxa de inclusão financeira do Quênia era de apenas 27%. Com a chegada do M-Pesa, serviço de transferência monetária mobile, esse número passou para 75% em 2016, sendo que de 2010 a 2015, a quantidade de contas registradas no M-Pesa superou o número de contas bancárias no país. 

Assistência do governo

Na África do Sul, o uso de métodos de pagamento instantâneo resultou em economias significativas com a identificação e prevenção de recebimentos fraudulentos de auxílio monetário governamental. A Agência de Serviços Sociais da África do Sul (SASSA) começou a distribuir o pagamento de benefícios para comunidades carentes, pessoas com deficiência física e aposentados por meio de soluções digitais em 2012. Os benefícios eram creditados em cartões de débito MasterCard da SASSA após a validação biométrica dos cidadãos, evitando que eles viajassem longas distâncias para receber o dinheiro. Ao requisitar a renovação do registro para o recebimento dos benefícios sociais, o governo sul-africano cancelou 850 mil transações devido a coletas ilegais ou duplicadas que o sistema conseguiu identificar. Isso resultou em uma economia de mais de US$ 200 milhões entre 2013 e 2014. 

Riscos de oportunidades para o Pix no Brasil

Diante desse cenário de pandemia, o Pix pode exercer um papel importante principalmente em relação ao maior controle sobre as finanças, maiores incentivos para a “gig economy” e aumento da empregabilidade. Com a economia fragilizada pelos impactos da pandemia, o número de desempregados no país já atingiu 14 milhões. Isso significa que uma parcela dessa população acaba recorrendo a trabalhos autônomos, como vendas pela internet e aplicativos de corrida ou entrega de comida. Portanto, facilitar o acesso a recursos financeiros é essencial para auxiliar na maior oferta de serviços e de empregos, além de aumentar e acelerar o fluxo de circulação de capital no mercado. 

Outro ponto importante é a questão da economia subterrânea, que no Brasil representa 17,3% do Produto Interno Bruto, tendo movimentado R$ 1,12 trilhão em 2019. Se levarmos em consideração as estimativas da Deloitte de que a introdução de pagamentos instantâneos poderiam reduzir esse valor em 2%, isso significaria uma enorme economia para o país. Atualmente, o Brasil conta com 45 milhões de desbancarizados e a estimativa, com base nos dados da Caixa Econômica Federal, é que o Pix traga cerca de 25 milhões dessas pessoas para o sistema

No entanto, além dos inúmeros benefícios para consumidores e empresas, é sempre importante ressaltar os riscos associados ao Pix. Até julho deste ano, por exemplo, já haviam sido detectados 10 milhões de ataques de phishing bancário. Um levantamento realizado pela Kaspersky Lab ainda revelou que o Brasil é o país com maior número de vítimas de ataques de phishing no mundo. De fato, antes mesmo de o Pix estrear no Brasil, muitas pessoas já estavam recebendo e-mails falsos para o cadastro das chaves.

Portanto, um dos grandes desafios do Pix será a educação da sociedade para o uso da nova solução; seja pelo lado dos consumidores, que deverão estar mais atentos a possíveis golpes, como das empresas, que precisam estar preparadas para garantir a segurança e a privacidade dos clientes. Apenas 15 dias após a liberação formal de cadastro de chaves nos processadores de pagamentos, o Banco Central já havia registrado 33,7 milhões de chaves do Pix, o que indica o grande potencial do sistema no país. Resta saber se estaremos prontos para aplicar as lições aprendidas com outros países e utilizar o novo sistema como ferramenta para alavancar a economia no período pós-pandemia. 


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