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title: Só peça a localização se for melhorar a experiência do usuário
description: O usuário deve saber qual benefício terá ao compartilhar a localização. Porém, quando o caso é segurança, não é necessário consentimento explícito.
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# [Só peça a localização se for melhorar a experiência do usuário](https://www.incognia.com/pt/blog/so-peca-a-localizacao-se-for-melhorar-a-experiencia-do-usuario)

 Written by [Denyson Messias](https://www.incognia.com/pt/blog/author/denyson-messias) | 30/set/2020 14:05:00

Hoje dados são talvez o maior ativo que empresas podem ter. A consciência de usuários mobile, de que são donos de seus próprios dados, aos poucos deve aumentar, com a efetividade de leis como a LGPD, GDPR e CCPA. Por isso, é tão importante as empresas investirem mais em melhoria da experiência do usuário, para poder justificar o por quê do pedido para coleta de seus dados. A ótima notícia é que usuários estão dispostos a ceder seus dados caso fique claro a recompensa que terão. A localização é um dos dados muito relevante, que pode melhorar, e muito, a experiência dos usuários, portanto é importante entender entender como pedi-la e como deixar claro para o usuário o valor que será proporcionado.

Mensagens solicitando o acesso à localização já se tornaram algo tão esperado ao baixar um aplicativo quanto os avisos pop-ups sobre permitir cookies ao acessar um site. Mas isso não significa, necessariamente, que é algo indesejado pelos usuários. Uma pesquisa realizada pelo [The Manifest](https://themanifest.com/mobile-apps/do-people-trust-apps-track-their-location) mostra que as pessoas utilizam, em média, 9 aplicativos mobile por dia, sendo que 37% dos usuários permitem que de 6 a 11 deles coletem dados de localização. A pesquisa concluiu que 57% das pessoas afirmam sentirem-se confortáveis com aplicativos que coletam dados de localização, porém existem duas coisas que usuários querem em troca, segundo a pesquisa: Conveniência e Segurança.

## Oferta clara de conveniência

Podemos comparar a pesquisa com exemplos concretos de oferta de benefício claro ao usuário que decide por compartilhar o dado de localização. A Uber, atualmente mantém uma média de 103 milhões de usuários mensais e não há dúvidas de que a palavra-chave para o sucesso do aplicativo é conveniência. Em comparação com os táxis tradicionais, a Uber é capaz de enviar um carro em poucos minutos para o usuário, de acordo com a localização dele e dos motoristas disponíveis na região, já oferecendo informações sobre o custo e tempo de duração da viagem. Além disso, um dos benefícios mais notáveis para os usuários em relação à coleta dos dados de localização é o recurso de segurança que permite compartilhar o percurso em tempo real com um familiar ou conhecido.

Ainda em outro exemplo, o Airbnb utiliza dados de localização não apenas para oferecer sugestões personalizadas para viajantes, como também para detectar e prevenir fraudes, além de verificar o endereço dos anúncios publicados na plataforma e a identidade dos usuários de forma rápida, sem prejudicar a experiência. O uso do AirBnB, e o exemplo de como usam para aumentar a segurança, nos leva ao segundo fator, caro aos usuários, para compartilhar a localização.

## Transparência e segurança

Transparência é essencial em qualquer contexto envolvendo clientes e, principalmente, quando se trata dos dados fornecidos por eles. Para o usuário, é importante saber como seus dados estão sendo utilizados e qual benefício será oferecido em contrapartida. O primeiro passo é apresentar os Termos de Uso e a Política de Privacidade de forma clara e solicitar que eles sejam lidos e aceitos logo no momento em que o aplicativo estiver sendo instalado. 

O consentimento para o acesso aos dados de localização também deve ser solicitado em um momento em que faça sentido para o usuário, seja no momento de ele criar uma conta ou quando acessar um recurso que dependa da localização. Também é importante oferecer ao usuário a opção salvar a configuração escolhida ou solicitar a permissão novamente quando o acesso aos dados for necessário

Usuários tendem a compartilhar o dado de localização quando entendem que estarão mais seguros

Usuários tendem a compartilhar o dado de localização quando entendem que estarão mais seguros, ainda segundo a pesquisa do The Manifest, e via de regra, o ideal é fazer o pedido de compartilhamento de dados de forma explícita. No entanto, se a localização é usada para aumentar a segurança e prevenir fraudes, é comum a pergunta: "Mas porque um fraudador iria, neste caso, compartilhar sua localização?". É por isso que leis de proteção de dados, como a LGPD e a GDPR enfatizam que, quando para prevenir fraudes, não é necessário que o consentimento explícito, já que trata-se de legítimo interesse do usuário permanecer seguro. Portanto é necessário, nesse caso, ter equilíbrio ser transparente sobre o uso do dado na medida certa para não permitir que fraudadores burlem o sistema antifraude.

Mas como chegar nesse equilíbrio, e deixar claro para o usuário o benefício, para queira consentir com o compartilhamento, porém sem explicitar em detalhes?

Os exemplos abaixo de dois bancos digitais mostram como fazer e como não fazer.

**Este é um bom exemplo**, em que o banco deixa claro os benefícios, porém não explicita qual será o uso da informação. Nesse teste de equilíbrio entre segurança e transparência, o app pode e deve ser transparente sobre essa coleta de dado e ainda vai ganhar a confiança do cliente.

 

 No caso deste outro banco, é pedida a permissão de localização para saber se você é você. Essa permissão possivelmente fará com o que o fraudador consiga evitar essa verificação da fraude. A transparência nesse nível termina inibindo a finalidade da segurança, pois o fraudador poderá negar e continuar com a abertura de conta fraudulenta. Este é um bom exemplo de que **não é necessário pedir o consentimento de forma tão explícita, quando o uso do dado será para a segurança do usuário**.

 

A transparência é obrigatória no tratamento de dados baseado no legítimo interesse, mas ser transparente sem comprometer a segurança é certamente um desafio. A inauguração da ANPD auxiliará para orientações em relação a isso.

## Seu app está oferecendo algum benefício para os usuários?

Para o usuário, é importante saber que para que seus dados estão sendo utilizados e como ele será beneficiado. No caso de aplicativos financeiros, por exemplo, as ferramentas de localização podem facilitar a abertura de contas em bancos. Usuários idôneos não precisam mais ser tratados como criminosos, e podem aproveitar mais facilidades e processos mais rápidos. Temos o exemplo de um [banco digital](https://www.incognia.com/hubfs/Brasil/Resources/Content/Estudo%20de%20caso%20-%20Onboarding%20sem%20fricc%CC%A7a%CC%83o%20em%20banco%20digital.pdf?hsLang=pt) que conseguiu verificar automaticamente 81% dos clientes com base na biometria comportamental por localização, eliminando outras técnicas de autenticação. 

Outro benefício é a facilidade nos processos de login envolvendo uma troca de dispositivo. A tecnologia da Incognia é capaz de atrelar a identidade de um usuário ao seu comportamento de localização, o que significa que é possível aprovar o login facilmente mesmo que ele troque de celular, como já explicamos em outra ocasião.

Já em termos de segurança - uma das principais razões de um usuário aceitar compartilhar seus dados de localização - conseguimos [reduzir em 53% o roubo de contas de uma fintech](https://www.incognia.com/hubfs/Brasil/Resources/Content/Estudo%20de%20Caso%20-%20Fintech%20que%20reduziu%20roubo%20de%20contas%20em%2053%25.pdf?hsLang=pt) que implementou a tecnologia da Incognia.

Mesmo que haja benefícios, os usuários estão cada vez mais conscientes dos riscos envolvendo o compartilhamento de seus dados e têm cobrado às empresas a agirem para mitigar tais riscos. Em resposta a essas preocupações, o Google e a Apple começaram a restringir as [regras de permissão de localização](https://www.incognia.com/pt/blog/atualizacao-do-ios14-e-o-acesso-a-localizacao?hsLang=pt). As mudanças nas políticas de ambas têm como objetivo oferecer ao usuário um controle maior sobre os dados compartilhados. Assim, é possível escolher se a localização será compartilhada apenas quando o aplicativo estiver sendo usado ou se o app poderá coletar dados continuamente em segundo plano, além de poder escolher qual o grau de precisão será concedido. Como já falamos [neste texto](https://www.incognia.com/pt/blog/atualizacao-do-ios14-e-o-acesso-a-localizacao?hsLang=pt), uma série de apps não tem razão óbvia para pedir localização precisa do usuário.

Esse foi um passo importante para as empresas de tecnologia, visto que a falta de regulamentação representava um risco para os usuários além de criar uma percepção negativa sobre o uso de dados de localização. 

Essa dualidade da tecnologia, envolvendo conveniência e segurança, já resultou inclusive na criação da [resolução 4.753 do Banco Central do Brasil](https://www.incognia.com/pt/blog/como-reduzir-o-abandono-no-cadastro-de-fintechs?hsLang=pt), que permite que novas tecnologias sejam utilizadas no processo de comprovação de endereço durante a abertura de contas. O objetivo é reduzir a taxa de abandono durante o onboarding e proteger os dados do usuário ao mesmo tempo. 

O fato é que os dados de localização podem ser uma ferramenta valiosa, com benefícios tanto para os usuários como para as empresas. Porém, para que ela seja utilizada, os usuários precisam conceder o acesso a esses dados, da mesma forma que permitem o acesso à câmera e microfone do dispositivo ao utilizar outros aplicativos. É nesse momento que as empresas devem prezar pela transparência e deixar claro benefícios para que o usuário sinta que terá uma experiência melhor.

[View full post](https://www.incognia.com/pt/blog/so-peca-a-localizacao-se-for-melhorar-a-experiencia-do-usuario)

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